A ação fotoperiódica transdutora da melatonina afeta, inclusive, a saúde reprodutiva. Modificações na produção e secreção da melatonina em virtude das estações, influenciam na função reprodutiva de animais (1). Embora seres humanos não sejam animais sazonais, há maiores índices de concepção em determinados períodos do ano (2).
A síndrome pré menstrual (TPM), bem como sua versão disfórica (TDPM), são desordens da fase lútea do ciclo menstrual. Válido apontar que em mulheres com TPM o padrão de secreção de melatonina é alterado, sendo mais cedo e curto (3).
Também sabe-se que mulheres trabalhadoras noturnas exibem ciclo menstrual com alterações em sua duração e fluxo (4).
O artigo (5) recrutou 45 mulheres pré menopausadas, 56 peri e 38 pós menopausadas e as dividiu em dois grupos, sendo um com mulheres entre 42-49 anos e outro entre 50-62. Elas receberam placebo ou 3mg de melatonina durante 3 períodos de 2 meses, onde avaliaram os níveis de melatonina, TSH, T3, T4, LH, FSH, prolactina, estradiol. Curiosamente, a atividade tiroidana teve melhoria, além de haver redução na secreção de LH, indicando um perfil hormonal mais jovem.
Todos estes achados demonstram a importância da melatonina na funcionalidade do eixo hipotálamo pituitário gonadal.
Sendo a melatonina um hormônio e este relativo às exposições ambientais, principalmente quanto à disponibilidade de triptofano e luminosidade (6), é tido que na estação do inverno há maior secreção de melatonina, bem como uma redução na secreção de LH e de estradiol, como consequência (7), o que pode ser entendido como menor fertilidade. Por outro lado, durante a gravidez a necessidade de melatonina é aumentada, já que nessa situação a carência de oxigênio é ampliada e a melatonina dispõe de efeito antioxidante. As desordens durante a gravidez, em boa parte, são causadas por maior estresse oxidativo e necessidade aumentada de micronutrientes. Nesse sentido, a suplementação de melatonina pode trazer benefícios para uma gravidez saudável (8–9).
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
(1) – https://doi.org/10.1210/edrv-12-2-151
(2) – https://doi.org/10.1007/BF03344974
(3) – https://doi.org/10.1177/074873049701200107
(4) – doi: 10.5539/gjhs.v5n3p163
(5) – https://doi.org/10.1196/annals.1356.030
(6) – doi: 10.2174/1570159X14666161228122115
(7) – doi: 10.1186/1477-7827-9-108
(8) – doi: 10.1016/j.ejogrb.2011.07.038
(9) – doi: 10.1186/1757-2215-5-5
(10) – doi: 10.1111/j.1600-079X.2007.00524.x