Uma das narrativas mais tradicionais no meio, tanto profissional, como de atleta, é a da necessidade da ingestão de carboidratos à proteína, de modo a evitar que essa proteína seja usada como substrato energético.
Muito dessa asserção vem de uma argumentação lógica, dentro de princípios fisiológicos, mas trata de questões complexas e fluídas, como simples, rígidas e fixas. Desse modo, quando essas argumentações são avaliadas em experimentos controlados, não se sustentam.
Vejamos:
Observe a imagem principal, lado esquerdo (1). Uma refeição rica em proteína promove grande liberação de glucagon. Se avaliarmos esse dado isolado, é possível deduzir que ocorreria uma indução de glicogenólise e neoglicogênese, mediadas pelo glucagon.
Observe a imagem principal, lado direito (1). Uma refeição rica em carboidratos reduzindo glucagon.
Assim, vem sua conclusão: Consumo de proteína isolada é catabólica e há necessidade de adicionar carboidratos à essa refeição. Você vai ainda mais além e coloca: Adicionando carboidrato, essa proteína estará mais disponível para síntese de proteína.
SERÁ?
O artigo (2) avaliou essa hipótese. 10 homens saudáveis e treinados realizaram um protocolo de treino EM JEJUM que
consistia de 25 séries de 10 repetições (9 para a parte de cima, 40-50% 1RM e e 16 para a parte de baixo, 75% 1RM).
A premissa de ser em jejum é que nesse estado metabólico a indução da neoglicogênese é maior.
Ao final do treinamento houve coleta de amostra de sangue e biópsia do vasto lateral.
Os indivíduos receberam um shake ao final da primeira coleta e em intervalos de 30 min, até 330 minutos. Outas coletas
de amostras de sangue foram realizadas nos min 15, 30, 45, 60, 75, 90, 120, 150, 180, 210, 240, 270, 300, 330, 360. Nova
biópsia muscular no min 360.
Os shakes continham 0,3g de proteína por kg/h e quantidade de carboidratos variável (0 ou 0,15g/kg/h ou 0,6).
Resultados na segunda imagem.
Destaque: Síntese, oxidação e quebra similares, mesmo a coingestão de carboidratos tendo efeito aditivo na secreção de insulina e reduzindo glucagon.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
(1) – https://labalbaha.files.wordpress.com/2014/04/marks_-basic-medical-biochemistry-a-clinical-approach.pdf
(2) – doi.org/10.1152/ajpendo.00135.2007