Hormônios são sinalizadores celulares e desempenham a atribuição de coordenar funções e adaptações metabólicas, garantindo
a estabilidade do organismo. É por isso que estado nutricional e disponibilidade energética de curto e longo prazo afetam atividade tiroidiana (AT), (1–2).
Síntese e secreção dos hormônios tiroidianos (HTs) opera através do mecanismo de feedback negativo envolvendo a integração
do hipotálamo, pituitária e tiroide (3). Além disso, cabe apontar o papel das deiodinases no mecanismo de feedback negativo,
especialmente pela conversão intrapituitária de T4 em T3 pela D2 (4–5). Nesse sentido, quando mencionamos AT, estamos considerando também sua regulação, ultrapassando hormônios e cobrindo enzimas, transportadores, receptores e genes.
Outro aspecto importante é que o sistema nervoso autônomo também participa da AT (6–7), sendo que os estímulos
do sistema nervoso simpático geram um efeito inibitório, enquanto que estímulos parassimpáticos são estimulatórios (3).
Desse modo, é possível compreender como e porque a dieta altera AT. Abaixo, em especial, colocaremos sobre
composição dietética baixa em carbo e alta em gordura. Vejamos:
No estudo (8), os participantes realizaram por 3 dias cada tipo de dieta, após intervalo de 1 mês entre cada uma delas.
Dieta 1: 100% gordura. Dieta 2: 50% gordura e 50% proteína. Dieta 3: 50% gordura e 50% carbo. Dieta 4: mista.
Os resultados você vê na imagem principal. Os autores discorrem que as mudanças em TSH e T4 não foram significativas, mas que a grande perturbação vista nas dietas altas em gordura ficou por conta dos níveis de T3 e rT3, sugerindo alteração periférica no metabolismo dos HTs.
Aqui (9), segunda imagem, transição de uma dieta alta em proteína (95% proteína) para alta sacarose (açúcar) aumentando AT,
mesmo em situação de baixa disponibilidade energética (800kcal).
MAIS ESTUDOS:
(ratos) – Status dos HTs regula síntese de lipídeos e é no estado de hipertiroidismo onde a síntese é aumentada. Óleo de milho suprime essa síntese, indicando redução da AT, o que não ocorre quando a fonte de gordura é banha (10).
(ratos) – Óleo de cártamo também “dessensibiliza” o fígado, necessitando de mais T3 para seus processos (11).
(ratos) – No entanto, em dietas alta em carbo, há maior sensibilidade ao T3 (12).
(ratos) – Tipo de gordura também influencia nos hormônios, sendo as poli-insaturadas hiperlipidêmicas (13), o que pode explicar também o maior ganho de peso (14).
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
(1) – doi: 10.1089/thy.2013.0055
(2) – https://doi.org/10.1007/s13679-016-0237-4
(3) – doi: 10.1210/er.2013-1087
(4) – https://doi.org/10.1023/A:1010012419869
(5) – doi: 10.1172/JCI29812
(6) – https://doi.org/10.1210/endo-96-1-102
(7) – https://doi.org/10.1210/endo-101-4-1228
(8) – https://doi.org/10.1016/0026-0495(80)90035-9
(9) – https://doi.org/10.1016/0002-9343(86)90264-0
(10) – https://doi.org/10.1016/0024-3205(75)90461-0
(11) – https://doi.org/10.1093/jn/120.6.625
(12) – doi: 10.1172/JCI109766
(13) – August 1998 The Journal of Lipid Research, 39, 1655-1660.
(14) – doi: 10.1016/j.jnutbio.2016.10.016