Em condição de infusão constante de aminoácidos, ir além de determinado liminar de insulina NÃO promove
maiores reduções na quebra proteica. O curioso é que também NÃO promove maior síntese de proteína, como você pode observar na imagem (1).
Válido apontar que se não houvesse a oferta constante de aminoácidos, mas somente a adição exógena de insulina, ocorreria um estado de hipoaminoacidemia, o qual REDUZIRIA síntese de proteína (2–3).
Nesse sentido, embora a insulina exerça ação anticatabólica, seus efeitos no aumento de síntese proteíca por si só dependem de níveis suprafisiológicos (2-3).
Para efeitos de quantificação, a maior dose de insulina utilizada no estudo (1), foi de 1160 pmol/L. Dose suprafisiológica modulando síntese de proteína para cima: 50.000 pmol/L (2).
Até aqui você já sabe que, em contextos fisiológicos, não há necessidade de “pico de insulina”, seja para reduzir quebra,
seja para aumentar síntese de proteína. Uma pequena quantidade de insulina, ~210-1160 pmol/L, já cumpre com maestria seu papel (1).
Em texto anterior avaliamos que a adição de carboidratos ao shake de proteína pós treino NÃO promove maior retenção de nitrogênio comparado ao shake contendo somente proteína (4).
Agora você quer saber: E adicionar leucina ou bcaa ao shake de proteína?
O estudo (5) investigou os efeitos do consumo de 5 tipos de shakes pós treino na síntese de proteína.
Todos os shakes continham 241kcal e 5,68g em gordura. 35g de carbos exceto para grupo W25, que ficou com 22,9g.
Composição detalhada dos shakes e os resultados na segunda imagem.
CONCLUSÃO: Os autores interpretaram os resultados sugerindo que adicionar leucina/bcaa ao shake de proteína seja uma estratégia válida para estimular e manter síntese de proteína.
Na verdade, o que fica evidente é a inutilidade da adição de leucina/bcaa em uma situação onde há quantidade adequada de proteína de alto valor biológico.
NOTA: Síntese de proteína não significa hipertrofia.
Mede-se a síntese pois a quebra é facilmente suprimida, como visto anteriormente (6).
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
(1) – https://physiology.org/doi/full/10.1152/ajpendo.90411.2008
(2) – https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/25646407
(3) – https://link.springer.com/article/10.1007/s00125-015-3751-0
(4) – http://paoloaltoe.com.br/blog/2020/01/18/sintese-de-proteinas-ha-necessidade-de-adicionar-carboidratos/
(5) – https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/24284442
(6) – http://paoloaltoe.com.br/blog/2020/01/19/proteina-maxima-resposta-anabolica/