Em 1915, Janney estimou a quantidade de glicose que seria produzida através da ingestão de proteína (1). Essa quantidade, com as devidas correções, é de 3,6g para cada g de nitrogênio contido em 100g de proteína.
Cada tipo de proteína dispõe de uma quantidade de nitrogênio, sendo usual a determinação de 16% (2). Desse modo, a quantidade ESTIMADA de glicose possível de ser produzida através de proteína fica em 3,6*16% = 57,6%.
Esse cálculo simples faz com que muitos profissionais optem por reduzir a quantidade de proteína em pacientes diabéticos, ou
serviria até de alegação para dietas cetogênicas.
O que vamos demonstrar nessa postagem é que a quantidade de glicose oriunda da oferta proteica é bem menor que ~50%.
Acompanhe:
Artigo (3), comparou quantidades estipuladas como equivalentes em glicose. Nesse sentido, cada 1g de proteína
representava 0,5g de glicose.
Você observa o resultado nas imagens, sendo pessoas normais na primeira imagem e diabéticos na segunda imagem.
Repare na glicemia estável enquanto a ureia é aumentada, indicando metabolismo proteico.
Durante todo o experimento, a glicosúria vinda de proteína foi igual a ZERO.
Em (4), sujeitos normais consumiram 50g de caseína. 68% dessa proteína chegou ao fígado para deaminação. Contudo, a quantidade
de glicose resultante que entrou em circulação foi de 9,7g. Quantidade de glicose estimada a ser produzida seria de 25-30g.
E em diabéticos tipo 2? O estudo (5) chegou em 2,6g para 50g de proteína de carne.
Por fim, em (6), indivíduos saudáveis, após jejum noturno, café da manhã somente com 4 ovos: 8% dos aminoácidos para
síntese de glicose.
CONCLUSÃO: Função proteica NÃO é elevar glicemia.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
(1) – http://www.jbc.org/content/23/1/77.full.pdf
(2) – http://www.fao.org/docrep/006/Y5022E/y5022e03.htm
(3) – doi: 10.1172/JCI100818
(4) – doi: 10.1172/JCI100818
(5) – doi.org/10.1210/jcem.86.3.7263
(6) – doi: 10.2337/db12-1208